quinta-feira, 23 de abril de 2009

ENTREVISTA MESTRE PANTERA NEGRA






Nascido em Maruim/Se, o mestre Pantera Negra ou Edson Correia, é um dos símbolos da capoeira sergipana. O mestre Pantera deu seus primeiros gingados no início da década de oitenta com o professor Caramujo, na cidade de Riachuelo/Se, com quem treinou por seis anos. Como o grupo não tinha nome, nem seguia um sistema de graduação, Edson Pantera veio para Aracaju onde recebeu a sua primeira graduação no Grupo Filhos de Luanda, com o professor Bidinha.
Após receber a graduação, neste mesmo dia, em visita a uma roda do Grupo Aruandê, do então professor Malazart, no bairro Siqueira Campos, após conversa, passou a integrar o Aruandê. Neste período, Pantera já ministrava aulas de capoeira substituindo o professor Caramujo e adotava o nome de Irmãos Unidos (1987). Aqui uma feliz coincidência: conversando com Malazart, descobriu que o nome Irmãos Unidos era o nome do antigo grupo do mestre Malazart que estava arquivado, daí surge com força e apoio o Grupo Irmãos Unidos na cidade de Riachuelo. Edson Pantera foi graduado mestre no ano de 2002, pelo mestre Geni da Bahia, e numa outra feliz coincidência, no evento do Grupo Zambiacongo, do mestre Geni. Conversamos com o mestre Pantera.
IM – Como você vê os trabalhos das Federações Sergipana e Desportiva para o desenvolvimento da nossa capoeira?
Mestre Pantera – A meu ver a capoeira só perde com isso. Relembro uma frase do mestre Itapoan, quando disse que “Sergipe é muito pequeno para tanta disputa”. O que se vê na verdade são duas entidades, que na verdade não estão criando um laço de amizade entre a capoeira e o capoeirista, é preciso deixar um pouco o lado burocrático e dar atenção a camaradagem que deveria reinar entre nós, principais artistas dessa arte.
IM – Como está vendo a introdução de elementos de outras artes marciais na capoeira? Com isso não estamos sepultando os fundamentos?
Mestre Pantera – Para responder essa pergunta, vou viajar mais ou menos no ano de 1932, quando o mestre Bimba introduz golpes e movimentos de outras artes marciais para enriquecer a sua capoeira, e dá a ela uma estrutura de luta devido à desmistificação de outras artes que via a capoeira como uma dança e não uma luta.
Hoje, eu encaro o fato de quando o capoeirista procura treinar outras artes como forma de estruturar melhor as suas deficiências dentro da capoeira, porém, sou contra quando esses lutadores introduzem golpes de outras artes na capoeira e esquecem de toda a movimentação da capoeira que deve sair da ginga, no entanto, o soco, a cotovelada, a cabeçada, o agarrão sempre foram movimentos da Capoeira Regional Baiana criada pelo mestre Bimba, onde o único problema é que na maioria das vezes são executados fora da característica da capoeira (a ginga).
Aracaju, 24/08/08

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